segunda-feira, 8 de maio de 2017

Socinal Financeira: Vale a pena? Socinal é confiável?

Com as constantes quedas da SELIC e das taxas de juros em geral, estamos cada vez mais tendo dificuldade para encontrar investimentos seguros e rentáveis. As famosas LCIs do banco Intermedium, infelizmente, já não são mais o que um dia foram. As taxas caem a cada dia, conforme o banco cresce e fica mais e mais parecido com um "bancão". Se eles começarem a cobrar mensalidade, para mim não será surpresa. Até a  boa e velha "Caruanã", que era tida como um bastião dos investidores corajosos, com seus RDB com  taxas pra lá de altas (chegou até 140% do CDI) já não é mais a mesma, e hoje tem taxinhas mixurucas (em comparação às antigas). 

E agora?? Pra onde correr??  

Um dos grandes problemas para o investidor é conseguir unir rentabilidade e liquidez. Quanto mais os títulos de renda fixa rendem, menos liquidez a gente tem, e isso pode ser frustrante para as pessoas que se sentem mal só de pensar em deixar seu dinheiro preso. Me lembro das LCI da CHB (Companhia Hipotecária Brasileira), que tinham vencimento para 7 anos.... e até da própria Caruanã Financeira, com RDB de 7 anos... Mas... e se eu quiser rentabilidade e liquidez ao mesmo tempo, quais são as opções?

Já de cara temos os tradicionais CDBs do banco Sofisa e Intermedium, com as já consagradas taxas de 100% do CDI para liquidez diária. Ótimo, né? Mas.... e quem quiser um rendimento maior, sem abrir mão da liquidez, quais seriam as opções?

Pra quem está em um "grupo" de investimentos do banco Intermediu, as taxas são de 105% do CDI, o que é bom, mas não é lá uma Brastemp. Pra quem quer ainda mais.... acaba sobrando uma única alternativa: A financeira Socinal. 

Eu não tenho nada investido lá...e pra ser sincera, nem sabia se eles ainda tinham as "famosas" LC de 118% do CDI com liquidez em D+3.... por isso, fiz uma pesquisa para ver como andavam as coisas por lá, para planejar meus próprios investimentos. O resultado da minha pesquisa foi.... SIM!!! A LC Socinal com liquidez "tri-diária" ainda está lá, e rende até 118% do CDI. Mas vamos aos fatos concretos:

Primeiro - O produto LC da SOCINAL

A Socinal opera com LC, que são um produto praticamente idêntico a um CDB, só que emitido por financeiras, e não por bancos. De forma geral, CDB e LC são ambos são títulos de renda fixa com características semelhantes, contudo, as LCs tendem a ter um rendimento maior A tributação é de 15%, seguindo a escala regressiva de imposto de renda fixa. Quanto maior o tempo do seu investimento, menor será o imposto devido. O imposto incide tão somente sobre os ganhos do seu investimento, e não sobre o valor investido. A Receita Federal instituiu a seguinte tabela:

Até 180 dias  22,5% do rendimento
De 181 a 360 dias 20% do rendimento
De 361 a 720 dias 17,5% do rendimento
Mais de 720 dias 15% do rendimento


O produto é protegido pelo FGC. Assim como na caderneta de poupança, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) funciona como um seguro e garante aplicações com valores até R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) por investidor/CPF. Além do mais, todas as LCs Socinal são registradas no CETIP.

O valor mínimo para investir é de R$ 5.000

A LC da Socinal Financeira é enquadrada na categoria "Renda Fixa com FGC escalonada".  Ou seja... o rendimento vai ser proporcional ao tempo em que você deixa o dinheiro lá, da seguinte forma:

"Posso retirar o dinheiro a qualquer momento? Ou é só no vencimento?

Sim, após fazer um agendamento com no mínimo 3 dias úteis.
Contudo, o rendimento sofrerá um abatimento e será compatível com uma aplicação que tivesse sido feita para o prazo em que existiu. Exemplo:
Se você aplicou em uma LC com vencimento em 36 meses com rendimento de 118% do CDI, mas resgatou com 26 meses, o rendimento será calculado com a porcentagem referente ao título de 24 meses, ou seja, 115% do CDI."

 Mas como está o balanço / rating da Socinal??


 O balanço deles está bom, até o momento sem sequências de prejuízo que possam assustar, conforme abaixo:





 
Lucro Líquido Socinal. Fonte: Bancodata







 Como podemos ver, a empresa está mantendo um lucro razoável nos últimos anos / trimestres, salvo no ano de 2015 em que operou no vermelho.

Conclusão:

Ao meu ver, a Socinal Financeira tem trabalhado durante vários anos com seriedade, sem pregar preças nos investidores, e a LC escalonada deles me parece ser o produto de renda fixa com liquidez que apresenta maior rentabilidade do mercado. Quanto à segurança, por ser uma financeira, e não um banco, entendo que esteja mais sujeito a interpéries ou problemas focais, mas já que tem FGC.... a segurança no final das contas acaba sendo muito boa. Se você é adepto da máxima "Segura na mão do FGC e vai...", fica aí mais uma dica ou palpite de opção de investimento em tempos de juros baixos! 

Atualização em Junho/2017 - Para nossa desgraça, a Socinal abaixou as taxas... Vou manter o post original como foi escrito, mas se prepare para valores significativamente menores que os descritos na postagem.

 

sábado, 6 de maio de 2017

BIVA - Há risco de fraude com empresas laranja?



Com a queda dos juros, cada vez mais nos chama a atenção a BIVA. Para quem ainda não conhece, a BIVA é uma empresa que iniciou há uns 2 anos no mercado financeiro, oferecendo investimentos com rendimentos muito acima do mercado (ex: 175% CDI), lastrados em empréstimos para pequenas empresas. O "mote" da BIVA é que ele ajudam aos pequenos-médios empresários a conseguir financiamentos a bons custos, e ao mesmo tempo ajudam os investidores a conseguir rendimentos acima de um CDB normal. Para quem não conhece a BIVA, vale a pena dar uma lida antes nesse outro post em que expliquei como funciona a BIVA.

Mas qual é a diferença da BIVA para um CDB ou RDB normal? Explico:

A BIVA capta empresas que estejam interessadas em empréstimos. Também capta investidores que estejam interessados em emprestar dinheiros para estas empresas. Fazendo a intermediação dessa operação, eles tiram o lucro deles. Nada mau, não é?  A diferença entre BIVA e um CDB é que nessa operação você não empresta seu dinheiro à financeira, mas sim diretamente ao empresário, que se der calote, é o investidor que arca com o prejuízo. 

Tenho acompanhado o desenrolar das operações da BIVA desde o início, quando ela trabalhava com um modelo diferente (em que a BIVA dava garantias de pagamento), até o desenvolver de um novo modelo, que funciona sem garantias, porém com pacotes de empresas - que eles chamam de portfolios - de forma a diminuir o risco. Assim, o investidor empresta seu dinheiro para um grupo de empresas, mitigando o risco específico, e recebe mensalmente parcelas de pagamento.

É impressionante o quanto a empresa cresceu, e tem conseguido operar de forma sólida. Atualmente na carteira de empréstimos - ou portfolios - deles há muitos milhões de reais...  que tudo indica estarem indo bem, com um cronograma de pagamentos regular. Todo esse crescimento, e taxas de rentabilidade que chegam a 200% do CDI começam a fazer a gente "crescer os olhos" pra eles, e começa a dar vontade de investir uns trocados com a BIVA...  Entretanto, nesse post quero alertar a aqueles que pretendem investir com a BIVA - eu mesma me incluindo aqui - para um risco potencial que o modelo de negócios deles traz: O uso de empresas laranja + calote "arranjado"
Antes de tudo, gostaria de dizer que não existe nenhum indício ou sequer alguma suspeita de que ocorra esse esquema fraudulento com a BIVA. Estou apenas apontando uma fragilidade no modelo de negócio, que potencialmente poderia levar a gestores ou funcionários desonestos da empresa a montar um esquema de fraude, aos moldes do que  frequentemente vemos aqui no Brasil, como ocorreu na Petrobrás, Odebrecht, e tantas outras empresas. Temos visto na mídia inúmeras formas de maquiar golpes e desvios de dinheiro, sempre se usando empresas de fachada: "consultoria", "palestras",  e até mesmo deixar sítios e triplex no nome de um "amigo" são algumas trutas famosas.

O uso de empresas "laranja" para maquiar negócios fraudulentos já é antigo aqui no Brasil, basta  uma pesquisa de  10 segundos no google e ficamos impressionados em ver o quanto isso é comum. Mas voltemos à BIVA. Como poderia ocorrer fraude na BIVA usando uma empresa laranja?

O esquema de fraude poderia ocorrer da seguinte forma: Em um portfólio de valor alto (ex: 2 milhões) e muitas empresas (umas 10), é incluída uma empresa de fachada. Esta empresa toma um empréstimo de valor alto, como por exemplo R$ 300 mil reais, dá um calote (previamente arranjado). O dinheiro vai para o bolso dos golpistas, e o investidor "paga a conta". Como o valor desviado seria baixo em relação ao total do portfolio, pouca gente iria dar falta. Veja que não precisaria de muito para que a fraude ocorresse. Bastava o envolvimento de alguns funcionários (ou dos próprios donos) da BIVA, e seria relativamente fácil montar o golpe.

A pergunta agora é.... como detectar ou evitar algo assim?

Existem diversos mecanismos de fiscalização que poderiam ajudar a evitar ou detectar a fraude, mas todos eles envolvem de uma forma ou de outra maior transparência nos contratos, bem como auditoria externa, tanto na fase de captação, como na fase de cobrança de eventuais calotes. Infelizmente, transparência é algo difícil de se ver na gestão de projetos financeiros. Recentemente tivemos um episódio de fundos imobiliários com elevadíssimas e crescentes taxas de "consultoria", e quando os cotistas solicitaram à administradora que apresentassem relatórios e cópias dos contratos, a resposta foi negativa, tendo os investidores que recorrerem à CVM, com resultado parcial.

Portanto, mais uma vez alerto: Muito cuidado ao ingressar em modalidades de investimentos que parecem "boas demais"...  pois o barato pode sair caro.

Quanto à BIVA... sigo acompanhando, e sinceramente tenho vontade de entrar em um portfolio deles no futuro - afinal de contas tudo que escrevi nesse post são meras elocubrações teóricas sobre riscos em potencial, e todos são inocentes até que se prove o contrário, não é?

E você? Já investiu ou tem vontade de investir com a BIVA? Deixe suas impressões nos comentários...



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Trabalhar, Descansar, Gastar, Poupar: o equilíbrio.

A piada é meio velha, e eu não sou lá muito boa em contar piadas, mas vou me esforçar ao máximo, para pelo menos ilustrar o post.



"Um executivo de uma empresa de laticínios vai a serviço para o interior de Minas para inspecionar algumas propriedades. Chegando lá, encontra na beira de um rio um mineirinho, em plena quarta-feira, pescando à sombra de uma árvore. O executivo pergunta ao mineiro:

executivo: - Homem, como você pode estar aí, descansando, pescando, em plena quarta feira? Por que não vai trabalhar?
mineirinho: - Trabalhar pra quê? - responde o mineirinho.
executivo: - Oras...  para ganhar um bom dinheiro!
mineirinho: - E dinheiro para quê?
executivo: - Para se fazer riqueza, atingir a independência financeira!
mineirinho: - Independência financeira? Pra quê?
executivo: - Bem... pra poder parar de trabalhar, curtir a vida, descansar sem se preocupar com nada....
mineirinho: - Uai... mas não é  isso que eu tô fazendo!?

 Obviamente se trata de uma caricatura, mas nos faz ver que nem o executivo e nem o mineirinho conseguiram o equilíbrio. Um buscava a riqueza de forma frenética, deixando de lado seu lazer. O outro, por sua vez, nem sequer se esforçava para conseguir o mínimo de dinheiro. É preciso haver um meio-termo.

Quem leu o livro dos "7 hábitos das pessoas altamente eficientes", lembra que o autor dividiu as coisas que devemos fazer em 4 quadrantes, conforme seu grau de importância:

Nossa postagem aqui não é sobre quadrantes, mas podemos utilizar a mesma estrutura, para definir como podem ser nossas relações com o trabalho e o dinheiro. Veja que quanto mais trabalhamos, mais ganhamos dinheiro... mas ao mesmo tempo temos cada vez menos horas de lazer e repouso - que no final das contas geralmente são o objetivo final do trabalho, não é? O problema é que quando separamos as diferentes variáveis:  Trabalho x Repouso - como forma de gerar nosso dinheiro, e uma vez que conseguimos o dinheiro temos que pensar entre Gastar x Poupar, percebemos que muitas dessas alternativas acabam sendo mutuamente excludentes: Não é possível obviamente trabalhar muito e repousar muito, assim como não dá para gastar muito e poupar muito. As combinações possíveis que determinam nossa relação com o trabalho e o dinheiro, se resumem a modular a quantidade de trabalho (e consequentemente de repouso), e a quantidade de gasto (e consequentemente de poupança). Fazendo uma combinação das variáveis possíveis, temos as seguintes opções:


Veja que por mais que a gente queira ver com bons olhos, muitos de nós automaticamente olham para os quadrantes e percebemos que estamos em um deles. Isso é sinal de falta de equilíbrio. Viver em extremos aumenta certamente a eficácia no curto prazo, porém no longo prazo acaba nos desgastando, e gera situações que vão se tornando mais e mais insustentáveis. Se você está lendo este artigo, é porque, assim como eu, quer chegar na independência financeira. Talvez você esteja no primeiro quadrante, assim como eu estou.... Trabalhando duro, gastando pouco... vivendo uma vida frugal. Saiba, entretanto, que não podemos confundir frugalidade com pão-durismo. Economizar é bom, sim... mas lembre-se do que diz a maga das finanças, Suze Orman:


"People first, then money, then things."

Antes de economizar, olhe para a prioridade número um, que são as pessoas. Você tem plano de saúde? Seus familiares estão precisando de alguma ajuda financeira? Seus filhos estudam em um bom colégio?  Você tira férias com sua mulher ou filhos? Você passa tempo suficiente com as pessoas que ama? Você está investindo em sua formação profissional? Uma vez que as pessoas estejam com suas necessidades garantidas... é hora de pensar no dinheiro. Pensar na sua independência financeira, na sua aposentadoria, no seu fundo de reserva.... e só então você pode - e deve - gastar um pouco com as "coisas": Aquele carro bonito, aquela roupa de marca, aquele relógio, iPhone, Playstation, etc.

A palavra de ordem, portanto, é equilíbrio. Tenha as prioridades bem claras em seu projeto de vida, mas lembre-se de que o mais importante são as pessoas... senão você pode chegar aos 50 anos e perceber que passou a vida perdido na corrida dos ratos...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Afinal... preço de compra importa ou não?


Mantenha a calma, e esqueça o preço. Você gosta de uma ação ou um fundo imobiliário e pensa em comprar? Você simpatiza com uma empresa, e vê boas perspectivas de mercado, mas a ação está muito cara? Você gosta de um FII mas ele está "caro demais" para entrar? Esqueça tudo isso. Preço não importa.

Eu sei que esse é um assunto extremamente polêmico, com defensores ferrenhos da teoria do "preço não importa" como o Bastter... e outros tantos ativistas do contra que defendem que o preço de compra importa sim. Dessa forma, justamente por ser um assunto que não tem um consenso, já aviso a todos que meu objetivo aqui é apenas dar a minha opinião sobre isso, e não dizer o que é o certo, tá? Vamos lá.

Compre na baixa, venda na alta?


Durante sua vida toda em finanças, você sempre ouviu dizer que tem que comprar na baixa e vender na alta para ter lucro no mercado de renda variável. Parece fazer sentido, não é? Afinal de contas... só assim para ter lucro. O grande problema é que essa diretriz, aparentemente simples, não funciona. Primeiro porque temos um grande problema de acertar o exato momento de fundos e topos. Me recordo no ano de 2014, quando as ações da PETR4 cruzaram a barreira dos 10 reais. Todo mundo dizia na época que era o "fundo do poço", e que não tinha como cair mais que aquilo. Não vamos esquecer que estamos falando de um papel que chegou a custar 40 reais. Muita gente comprou PETR4 a R$ 9,50... simplesmente para ver o papel derreter morro abaixo, mês após mês, até R$ 4 reais, a mínima histórica uns anos depois. Também não dá para adivinhar os topos.

O movimento oscilatório das ações faz com que seja impossível dizer se a ação está numa tendência de alta ou de baixa. 

- Pera aí, gatinha... como assim não dá pra saber se existe tendência de alta? E pra que servem as médias móveis???

Explico. Primeiro, que não é possível fazer qualquer tipo de previsão sobre o preço futuro de um papel baseado no desempenho dos últimos meses.Um papel que subiu de forma linear 150% nos ultimos 12 meses, por incrível que pareça, não está numa tendência de alta. Eu sei que é dificil aceitar isso, mas é verdade. Existe apenas um histórico de alta, que não tem nenhuma utilidade para fazer previsões sobre o comportamento futuro do preço. Portanto, aprenda a primeira lição: Rendimento passado não serve para prever rendimento futuro. Isso que você lê em letras pequenas nas propagandas de fundos de investimento é mais do que meia duzia de palavras, é a nua e crua realidade.

Não se iluda. Não existe tendência de alta nesse papel.
 Um tempo atrás, eu estava fazendo uma pesquisa sobre robôs de investimento. Comprei meia dúzia de livros sobre o assunto, e sobre desenvolvimento de Trading Systems. Uma das coisas que mais me marcou, foi um dos livros, que ao contrário dos demais, apresentou dados estatísticos e científicos sobre diferentes abordagens, com resultados que me deixaram boquiaberta, como por exemplo:

- O uso de "stops" não diminui as perdas.
- O uso de "stop gain" não aumenta os lucros. 

Creio que iria me extender demais se tentasse comentar detalhadamente os resultados acima, mas o fato é que em uma sequência de muitos e muitos trades, colocar stops maiores ou menores não muda a rentabilidade global da carteira, pois se  por um lado ele evita perdas em alguns momentos, em outros momentos ele encerra a posição com prejuízo pouco antes do mercado se recuperar e virar para lucro. Mas não é sobre stops que quero falar, e sim sobre o assunto principal, que é o "ponto de entrada" no papel. 

Esse mesmo autor fez testes com diferentes papéis, das três formas:

- Ponto de entrada na mínima dos últimos "x" dias/meses.
- Ponto de entrada na máxima dos últimos "x" dias/meses.
- Ponto de entrada aleatório.

O resultado? Não conseguiu obter de forma consistente resultado melhor em nenhuma das estratégias, em nenhuma janela de tempo (curto, médio, ou longo prazo). Mas qual é a explicação, para todas essas conclusões de que falo nessa postagem, que vão na contramão de tudo aquilo em que acreditamos? A culpada por isso tudo, e a responsável pelo preço de compra ser irrelevante, é uma palavrinha mágica: "A eficiência do mercado".

"-Mas peraí, Gatinha... você falou que é uma palavrinha mágica, mas disse três".

Tudo bem... você está certo. Ainda assim, o mercado é eficiente. Mas... o que significa isso? O que é um mercado "eficiente"? Explico.

A "eficiência" do mercado é um termo que significa que o mercado financeiro é um expert em descobrir o preço justo de um papel qualquer. Ou seja.... todo papel sempre estará custando exatamente o que vale, nem um centavo a mais. Essa eficiência é tanta que o preço do papel é imediatamente ajustado em caso de qualquer nova informação que altere o senso de valor do ativo.  Devido a essa eficiência, como resultado temos que um ativo nunca estará nem caro, nem barato. O preço estará sempre justo. 

Conclusão? Não existe papel "caro". E se não existe papel "caro" ou "barato", finalmente chegamos na doutrina do Bastter: "O preço não importa". É claro que o preço não importa, porque o preço é sempre justo! Não existe papel caro. 

"-Mas pera aí, Gatinha... mas como funciona isso??"


Funciona da seguinte forma:

Digamos que a Empresa X tenha papéis na bolsa, e a ação está sendo negociada a R$ 10. Esse é o preço justo. Se a empresa divulgar um balanço com lucro fantástico, as pessoas vão se interessar mais pelo papel, que passará ser negociado a... R$ 12. Esse aumento de preço reflete uma mudança nas características do papel, que passou a valer mais por ter balanços bons.

Continuando o exemplo, a empresa depois de uns dias anuncia uma fusão com outra empresa importante, e o papel passa a custar R$ 15. Na sequência, essa mesma empresa lança um novo produto no mercado que faz um sucesso tremendo, e o papel vai a R$ 20.

Agora vamos analisar algumas questões simples, em forma de "perguntas e respostas".

- A ação está cara? 
Não. A ação está em seu preço justo, nem cara nem barata. Aquela ação que um dia custou "R$ 10" era diferente... era uma empresa sem balanços bons, sem fusão, sem novo produto.... Devido a essas novas características, R$ 20 é um preço justo, portanto a ação, apesar de ter dobrado, não está cara.

- A ação está com tendência de alta?
Não. A ação somente subiu. Pode passar a cair a qualquer momento. Não existe tendência alguma. Comportamento passado não é previsão de comportamento futuro.

- Mas o fato da empresa ter uma boa gestão, não é indicativo de que tenha tendência a crescer mais?
Pode ser, mas essa expectativa de crescimento já está incluída no preço, portanto não existe nenhuma "barganha". Como dizem, isso já está "precificado". 

Veja que o mesmo vale para papéis que caem. Se por qualquer motivo essa mesma ação passar para R$ 10 novamente, ela não estará de forma alguma barata. Ela simplesmente "piorou" suas características e passou a valer exatamente isso. Se o papel tivesse continuado cheio decaracterísticas boas, o preço não teria caído. Dessa forma, um papel que está "barato" é um papel que piorou muito.... e esse novo preço é o preço justo. 

O que faz os preços subirem ou descerem até chegar no exato preço justo é o que chamamos de "equilíbrio dinâmico".  Qualquer "novidade" ou alteração nas características do papel, irá gerar nos investidores de que o papel é uma boa (ou má) oportunidade de compra, gerando sucessivas compras ou vendas, até que.... o valor de mercado afunda livro adentro, até chegar uma hora em que... subiu tanto (ou caiu tanto), que lá se vai a pechincha.... e aí o preço estabiliza. Isso é equilíbrio dinâmico. É quando as coisas estabilizam não por estarem paradas... mas por haver um equilíbrio de forças contrárias. A gente vê isso em um pião girando por exemplo, ou em dois lutadores de sumô.

Estão parados no ringue. Devido a enormes forças contrárias iguais.
 Qual a conclusão de tudo isso? É a primeira imagem desse artigo. Esqueça preço. Escolha suas compras de ações ou FIIs pelas características do papel que te agradarem... (características de gestão, físicas, de balanço, etc), e esqueça o preço. Compre a mercado e seja feliz. 

 
 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

A hora dos imóveis: taxas caindo, juros baixos...

Tudo tá caro!!!

Você tem algum conhecido que fala o tempo todo que "tá tudo caro"? Talvez você mesmo?

-FII tá caro! Ações estão caras! Taxas estão baixas! LCI não tá rendendo mais nada!

E agora???

A curva de juros futuros despencou nos últimos meses, e isso gerou algumas consequência: Ativos que sobem com juros baixos (como FII, ações e titulos do Tesouro Direto) dispararam de preço. Tudo "ficou caro", como se fala na gíria dos blogs e fóruns de investimento.

Por outro lado, todas as taxas estão caindo (debêntures, LCI, CDB...). E agora? Aonde colocar o dinheiro? A resposta cada vez mais se torna uma: Imóveis físicos.  

Quando nada mais estiver rendendo na ciranda financeira devido a juros na chon, é hora de pensar se não é o momento de comprar a casa própria (financiada) ou amortizar o financiamento imobiliário. Por que?

Os imóveis físicos sabidamente são o investimento mais seguro no Brasil. Muito mais seguro do que qualquer título do tesouro ou mesmo que a poupança da Caixa Econômica Federal. Em 1990 o Collor confiscou até a caderneta de poupança. Lá nos anos 80, o Sarney decretou moratória (calote na dívida externa) e os títulos públicos brasileiros (bonds) derreteram.  Mas os imóveis reais - assim como o Ouro - sempre foram um porto seguro para os investidores.

Não é à toa que o aluguel de um imóvel físico "rende" bem menos que um FII (fundo imobiliário). Pois os imóveis físicos sobrevivem a todo tipo de crash do mercado financeiro, e nossos pais sabem muito bem disso. É por isso que você nunca vai convencer seus pais a venderem aquele imóvel e colocar tudo em FII ou LCI. Quanto mais idosa a pessoa fica, mais ela precisa de segurança, e segurança financeira aqui no Brasil  tem um nome: "Imóvel de aluguel".

Mas imóveis não é só "de aluguel". Quem de nós não tem um financiamento de imóvel pra pagar? E aqueles que não pagam financiamento... quantos ainda moram de aluguel, ou mesmo com os pais, e não tem sua casinha própria? Até que ponto vale a pena deixar o dinheiro "mofando" no banco, e você não ter nem sequer sua casa para morar?

Se você já passou dos 29 anos e não tem um teto pra chamar de seu, é hora de repensar seus conceitos sobre a vida. Ser da "geração canguru", que continua morando com os pais após os 30 anos, é algo no mínimo vergonhoso. Pagar aluguel depois dos 35 anos, mesmo que possa fazer todo o sentido "matematicamente na ponta do lápis", também é algo problemático.  O fato é: todos nós precisamos de uma casa. 

Mas uma casa é algo tão caro, que é praticamente impossível conseguir comprar uma a vista.  A compra da casa própria sem a menor dúvida é o evento financeiro de maior importância na vida de uma pessoa. Com SELIC a 14%, você não podia deixar de aproveitar a "festa do caqui" que foi o ano de 2016.... um ano totalmente atípico em investimentos. Em 2016 se você jogasse 10 reais pra cima, caía 20. Todo mundo enriqueceu; ninguem perdeu dinheiro. Mas a coisa mudou.

Em 2017 pra se ganhar dinheiro com investimentos está muito difícil. Seu queridinho fundo multimercado está derretendo. Suas ações deixam muito a desejar, e apesar do seu "otimismo de investidor", o HB continua sangrando.  Aquelas cotas de FII estão com vacância cada vez maior, e o preço está derretendo. O que sobrou de bom... está caro. Quem tinha LCI IGPM no Intermedium em abril/2017 notou uma coisa curiosa: o rendimento foi negativo. Estamos voltando à era dos imóveis.

IFIX em 2016 - Impossível perder dinheiro até comprando XTED ou TBOF

 Com a queda dos juros, está ficando cada vez mais barato financiar coisas. As concessionárias de veículos começam a divulgar novamente promoção de 24x sem juros. É hora de comprar um carro novo? Por mais que dê vontade, é hora de você começar a olhar com carinho para as ofertas de imóveis. Tem muita coisa "encalhada" dos lançamentos imobiliários, e as construtoras começam a fazer promoções muito boas. As taxas do financiamento imobiliário já estão em valores bem mais amenos. Amortizar um financiamento antigo também já passa a ser um bom negócio, num cenário em que o dinheiro parado na ciranda financeira rende cada vez menos.

Sua mãe ou sua mulher estão faz tempo dizendo que você deve comprar uma casa? É hora de começar a pensar mais com carinho no assunto. Porque se demorar demais... aí daqui a pouco vão ser os imóveis que vão estar "todos caros"! =^.^=

A balança começa a pender pro lado de lá...